Alerta para pais: sabe o que é Discord?
- 18/08/2025
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Discord: o paraíso das comunidades online e os perigos à espreita para menores
Inicialmente criada como uma ferramenta de comunicação para gamers, o Discord se transformou em uma das maiores plataformas de comunidades online do mundo. Com milhões de usuários ativos, o serviço funciona como um "prédio virtual", onde as pessoas podem criar ou ingressar em servidores temáticos — que podem ser desde grupos de estudo, clubes de leitura e, claro, comunidades de jogos. Apesar de sua popularidade e versatilidade, a natureza privada e, muitas vezes, pouco moderada de seus ambientes levanta sérias preocupações sobre a segurança de crianças e adolescentes.
O que é o Discord?
Diferente de redes sociais tradicionais como o Facebook ou o Instagram, o Discord não tem um feed público. Sua estrutura é baseada em servidores, que são espaços organizados por temas. Cada servidor, por sua vez, é dividido em canais de texto e voz, permitindo que os membros conversem sobre assuntos específicos ou interajam em tempo real. A facilidade para criar e gerir esses espaços, somada à capacidade de acomodar grandes grupos de pessoas, tornou a plataforma um local ideal para construir comunidades de nicho, sejam elas abertas a todos ou restritas a convites.
Os perigos do anonimato e da falta de moderação
Embora muitos servidores sejam bem moderados, a maioria das conversas e interações no Discord acontece em ambientes privados, tornando-se invisível para a fiscalização externa e, em muitos casos, para a própria equipe da plataforma. É nessa privacidade que residem os maiores perigos para os usuários mais jovens.
- Exposição a Conteúdo Inadequado: Servidores sem moderação rigorosa podem conter material explícito, como violência extrema, nudez, discurso de ódio e mensagens discriminatórias. Uma criança ou adolescente pode ser facilmente exposta a esse tipo de conteúdo ao ingressar em um servidor por engano ou convite.
- Ciberbullying e Assédio: O anonimato e a facilidade de criar contas falsas podem encorajar o bullying e o assédio. A dinâmica de grupo em canais de voz ou texto pode rapidamente escalar para ataques pessoais, exclusão e intimidação, sem que os agressores sejam responsabilizados.
- Contato com Predadores: A estrutura do Discord facilita a abordagem de predadores online. Eles podem se disfarçar em servidores de jogos ou temas infantis para se aproximar de menores, ganhando sua confiança e, posteriormente, tentando levá-los para conversas privadas fora da plataforma ou praticando o "grooming" — a manipulação para abuso.
- Golpes e Scams: Jovens, que muitas vezes não têm experiência com segurança digital, são alvos fáceis para golpes de phishing (roubo de dados) e outras fraudes. A promessa de itens raros em jogos, acesso a servidores exclusivos ou prêmios pode levar a roubo de informações pessoais ou financeiras.
Ações para os pais e responsáveis
Especialistas em segurança digital e proteção infantil, como a SaferNet Brasil e a Cyberbullying Research Center, alertam para a importância do diálogo e da supervisão. Em vez de simplesmente proibir o uso da plataforma, o que pode isolar a criança de suas comunidades, a abordagem mais eficaz é a conscientização.
- Converse abertamente: Converse com seu filho sobre o que ele faz no Discord. Pergunte sobre os servidores em que ele participa e os amigos com quem interage.
- Ajuste as configurações de privacidade: Ajude a configurar a privacidade da conta para que apenas pessoas de sua lista de amigos possam enviar mensagens diretas.
- Utilize as ferramentas de controle: O Discord oferece recursos como "Filtro de Conteúdo Explícito", que pode ser ativado para bloquear imagens inadequadas.
- Monitore e aprenda: Peça para ver a lista de amigos e servidores. Demonstre interesse para que a criança não se sinta invadida, mas, sim, protegida.
- Denuncie abusos: Ensine a importância de denunciar qualquer comportamento suspeito ou ofensivo, tanto dentro da plataforma quanto fora dela.
Em última análise, a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital do Discord, assim como em qualquer outra plataforma, depende de uma combinação de educação, conscientização e supervisão atenta por parte dos pais e responsáveis.
Para evitar que jovens sejam coagidos dentro dessas redes, Marilene Souza, psicóloga e professora da Universidade de São Paulo (USP), diz que é importante atenção e diálogo entre pais e filhos. Segundo ela, é necessário prestar atenção no que crianças e adolescentes estão fazendo e o conteúdo que consomem dentro de seus quartos enquanto utilizam o computador ou celular.
“Fundamental que pais acompanhem diariamente como os filhos estão entrando nas redes sociais, o que estão vendo. Inclusive há formas de regulação dos pais em relação às redes. É possível ver espelhos das plataformas ou colocar horários, limites para entrada nas redes sociais”.
Marilene também sugere que famílias e escolas proponham atividades que não sejam só por telas de celulares, computadores e jogos, mas principalmente ao ar livre.
“Precisamos, cada vez mais, levar nossos adolescentes e crianças para espaços que não sejam os das telas. E isso é um processo que também o adulto vai precisar passar, porque nós também estamos abduzidos pelas telas. É importante que a gente possa resgatar a necessidade de construirmos outras atividades em espaços abertos, em contato com a natureza”.
A especialista ainda destaca a importância das escolas no debate sobre uso de aplicativos envolvendo a participação de jovens. Ela considera que o Poder Público e a sociedade civil também podem ajudar, com a regulação dos aplicativos digitais.
Fonte: Agencia Brasil.
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